sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Foto Poema - Intolerâncias


Dedico este foto poema a toda Humanidade.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Louco Apaixonado


Sentimentos sem sentido,
Palavras escritas no vazio.
Se o olhar que lanças no escuro
Não encontrar a face que procuras
É porque o amor que te guia
Não é chegada, é partida.

Na loucura de um apaixonado,
Vislumbrei a tua silhueta
Num raio de luz disforme.
Não eras a mais perfeita,
Mas é por teu amor
Que eu desejo ser amado.

Prefiro ser um louco apaixonado
A ver o amor onde apenas há cama.
Antes louco do que aqueles que têm tudo...
Mas que vivem no palco...
Numa eterna cena.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Desnudo


Empresta-me teus olhos
Para que eu possa te ver,
Por mim, apaixonado(a).

Empresta-me eles nus,
Sem as lentes escuras,
Sem sorrisos nos lábios

Para que eu sinta fluir
Toda a minha verdade
E chorar tua mentira.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Quebrantos


Olhos emprestados,
Mentiras vistas,
Sangue chorado...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Gritos do Silêncio


O meu silêncio fala mais alto
Do que todos os meus gritos...
Mudo, confesso tudo que sinto.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Cemitérios D'Alma


Vidas secas não florescem,
Flores mortas não sangram.
Elas são cemitérios d’alma!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Labuta


Nervosas, as engrenagens viscerais lutam...
Sangrando suor, sentindo frio, sede e fome.
A cobiça dos vermes a juventude consome.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Enigmas da Vida


Do nascer do Sol ao pôr da Lua,
Esse curto caminho por que passamos,
A vida sempre nos revela
Através de pequenos sinais,
As regras básicas de convivência
Enquanto dela fazemos parte,
Enquanto da parte
Construímos o nosso todo.

Não é fácil viver a vida,
Mais difícil é descobrir
Os seus pequenos segredos.
Muitos deles quando descobertos,
São impossíveis de entender,
Pois se tornam enigmas,
Indecifráveis e inacessíveis
Aos olhos cegos pelo orgulho
Ou por um coração duro,
Seco, sem amor...

Não basta olhar para uma flor
Para saber que ela é bela,
Porém, tem que se “ver” através dela,
E lá, na sua essência mais simples,
Encontrar a nascente do amor
Pulsando forte,
Emanando vida...
Virgem,
Intocada.

Da mesma forma,
Não é o vôo de uma ave
Que maravilha o homem
E o faz sonhar e voar...
É a saudade de uma liberdade
Que sempre parte a cada sonho,
Que não se pode realizar.
Fica o desejo de ser o vento
E viajar nas asas do tempo...
Livre das amarras que o prende.

Não é o sorriso de uma criança,
Que nos seduz e dá esperanças à vida.
É a pureza e uma inocência rara,
Que brilha intensamente
Na forma de um sorriso infante
Fazendo reviver as lembranças
Da nossa própria infância
Deixando a saudade solta no ar...

É preciso mais que um olhar
Para tentar decifrar
As tramas do destino
E as armadilhas da vida...
Além de um olhar é necessário
Para se ter a certeza
De que a vida é bela
E que nem sempre os olhos
Têm que estar abertos
Para saber vivê-la
Em sua forma plena
Ou de passar por ela
Amando e sendo amado.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Água Bruta


Por onde correrá essa água
Que da pedra brotou?
Será que desceu a serra,
No rio criou força e no mar se fartou?
Qualquer que seja o seu caminho,
Essa mesma água que move os moinhos
Vai tornar-se salgada,
Pois esse é o seu destino.

Quantos corpos banhará?
Quantas vidas afogará?
Antes de no oceano desaguar?
Será que és doce, água bruta,
Ou tens o sal do mar?
Sei lá! Deve ser apenas água
Que se deixa levar...

Águas que matam a sede,
Mas não purificam...
Que modificam os destinos
Ainda por escrever,
Que fazem renascer na terra rachada
Uma folha de esperança
De uma inocência passada!

Águas que d’alma nascem...
Escorrendo dos olhos numa gota sofrida,
Procurando uma boca,
Um belo sorriso...
Na esperança que a fonte
Torne-se escassa
E que dessa vida onde tudo passa,
Seja apenas água viva,
Água da vida!!

Meus dois Oceanos que vêem à frente
Abram meus caminhos,
Tornem virgem a praia...
Para quando por ela eu passar,
Deixe as minhas pegadas,
Não o sal do mar!!!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Águas do Capibaribe


Caminhando sobre a ponte de ferro,
Vi as águas do Capibaribe correndo
Ao encontro do mar.
Seguiam...
Como eu ao meu destino incerto.

Sobre a ponte, vejo as águas refletirem
Como num espelho disforme...
O brilho do sol...
A luz do luar...
As imagens que me comovem...

Quantas águas passaram sob essa ponte?
Quantos passos foram dados sobre ela?
Só sei que estou nessa longa espera...
Desejando que você volte pra mim.

A minha juventude correu
Com as águas do Capibaribe.
Os meus sonhos continuam a seguir...
Eu fiquei sobre a ponte de ferro,
Sob o brilho do sol...
Sob a luz do luar...
Não fui ao mar desaguar...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Amor de Deus


A você que não conheço, cujas lágrimas tocaram meu coração.

Não sei o que te aconteceu
Não sei por que tanto choras,
Mas vê a vida lá fora
Esperando por viver...
Vive a vida!!

Por trás dessas nuvens...
Que molham tua face,
O Sol brilha intensamente
Como o Amor de Deus
Por todos nós!

Não esqueças que Deus está Vivo!!
Entrega-te a Ele e descansa...
Pois é o único que não nos abandona.
Saiba que o amor do coração é efêmero,
O d’alma é perene!

Hoje o dia chora contigo...
Amanhã brilharás com o Sol.
Acredita nisso! Firme!!
Deus não nos esquece
Jamais!!!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Beija-Flor


Um Beija-flor pairou em minha frente
Ficou parado na chuva a me fitar,
Com toda a liberdade que tinha
Na minha frente preferiu ficar.

Vi suas asas na chuva batendo,
Lágrimas dos olhos descendo...
A tristeza também eu via
Pela solidão que na liberdade tinha.

Falou-me das flores que beijara
E de quantas mais haveria de beijar.
Mas tantas que seus beijos tinham
Com nenhuma haveria de ficar...

--- De que me vale a doce liberdade
Se não tenho com quem voar?
--- Fica, pois, sem a tua liberdade...
Mas com quem te ame como companhia!

Não sei quem o mandou até mim,
Mas suas palavras são a pura verdade.
Abriu meus olhos, salvou minha vida...
Voe, Beija-flor, com sua doce liberdade!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Ciúme de Amigo


Amor de amigo é puro amor!
Não tem tormento, não tem dor!
É luz na solidão d’alma...
É calor nesse mundo frio...

O verdadeiro amigo é jóia rara!
É laço no espírito que não separa!
É monte rochoso, é conta de terço!
Que comunga em prece o amor de Deus!!!

Ciúme de amigo é prova de apreço,
É certeza de laços feitos...
É confirmação de companhia...
Da Lua à noite, do Sol ao dia.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Coração Humano


Pulsam forte no peito a vida
O amor, a saudade, a paixão...
Preenchem o coração humano,
Os sentimentos nobres, outros não.

O ciúme, a inveja e a maldade
Também caminham em seu chão.
Semeando discórdia, distribuindo
Rancor, onde deveria ser amor...

O coração do homem não é puro,
É humano...
Mas tem seu valor se for
Forjado na retidão do amor...

O coração que ama é bobo,
Por si próprio é maltratado...
Renega a razão à vida
Vive quase sempre magoado.

Mas é bom viver apaixonado
Seja pela vida ou por você mesmo...
E se tiver sorte, quem sabe?
Por outro coração na vida ser amado.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Amigo


Entregar-se a alguém
É muito mais que simplesmente
Em sua cama deitar...
A verdadeira entrega
É o permitir-se ser descoberto,
É descobrir-se no próximo,
É abrir-se ao incerto
Sem nada em troca exigir.

Da perfeita harmonia,
Dessa mútua entrega e descoberta...
Nasce uma amizade sólida
Que resiste a tudo,
E com o tempo dura,
Como a minha e a sua
Que já se permitiu existir.

Saber falar e ouvir,
Respeitar as posições próprias
Sem misturar-se com as suas,
São pilares seguros e fortes
De uma relação que dura
Ignorando as agruras,
Superando a tudo
Que nessa vida há de vir.

E num futuro distante,
Quando finalmente um partir...
Ficará uma enorme saudade no peito
E um triste vazio na alma;
Maior ainda será a vontade
De no derradeiro instante,
Olhar em seus olhos e dizer:
A M I G O!
Eu adoro você.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Homens Animais


No mundo em que vivo oito horas por dia...
Vejo coisas que antes nunca via.
Vejo homens tratando homens como animais...
E animais chorando sem parar mais...

Angústias no coração presente se faz
E o amor antes gritante, hoje já não grita mais.
Dor no peito já não se sente mais,
Pois o corpo já demente, sentir dor é incapaz.

Máquinas humanas, engrenagens de carne...
Motor cardíaco que não tem alarme...
Segue com sacrifícios e vivendo em suplício,
Por crimes que acontecem por livre arbítrio...

Chora menino! Tua máquina trabalha...
Grita ao mundo essa tua infância falha!
Pede a Deus que em teu futuro vindouro,
Não vires máquina, nem tão pouco fiques louco...

Mentes vazias, reuniões de nada...
Pessoas que trabalham e não sentem nada!
Amizades raras, tesouro perdido...
Tudo destruído por causa de um pedido...

Ah! Se eles soubessem que só o amor constrói...
Matariam o orgulho do peito que tanto destrói,
Mas eles são cegos e morrem vivendo...
Seguem tudo querendo, tendo e perdendo...

E com tanto sofrimento seguimos vivendo...
Animais bonitos, unidos num só lamento...
Mas um dia subiremos ao alto com amor no peito,
Estendendo a mão para quem nunca nos deu alento, só sofrimento.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lágrimas


Quanto sofrimento uma lágrima contém?
Quem pode uma lágrima julgar?
Tantos se acham senhores de si...
Mas no peito sentimento não há!

Seja de dor ou de felicidade
Uma lágrima expressa a verdade
Que a boca não ousa falar,
Mas que o coração grita, derrama!

Maior que ela é a fonte que gera
Esse sentimento que dos olhos cai
Como água que salta em cascata...
Pra no rio descansar, não sofrer mais!

Quando uma alma chora
As outras se compadecem, oram.
Pois todas têm a mesma origem
A Deus pertencem, a Ele vão retornar!!!

Quando vires uma lágrima rolar...
Toma-a para ti, ajuda-a a seguir...
Os caminhos se cruzam, encontram-se...
Dos teus olhos, pode um dia rolar!!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Jóia Rara


Quando o amor chegar,
Agarre-o...
Quando lhe chamar,
Vá...
Não pense, não pare.
Deixe-se levar...

Porque ele é chama que se apaga,
Se não for escutado, se vai...
Não pense muito, abrace seu destino.
Caminhe com ele, siga até o infinito...
Siga vivendo cada precioso momento.

Amor que arde no peito gela a alma...
Joga o tempo no esquecimento,
A razão enterra no sentimento,
Nos faz voar nas asas do sonho,
Nos faz delirar nos braços do desejo...

Afogue-me em seus beijos,
Entorpeça meu corpo com seu cheiro,
Explore cada brecha,
Cada fio em seu leito...
Sou louco, não tenho sossego
Enquanto a você não me entregar.

Por mais que em seu caminho
Tenha muitos espinhos,
Vá seguindo...
Deixe-se levar...
Pois o amor é jóia rara,
Difícil de se encontrar.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Meia-Idade


Se encontrares o teu destino
Agarra-o forte,
Não o deixes escapar
Por entre os dedos,
Pois são teus os caminhos
E todos os segredos
Tramados por ele.

Não consigo entender
Por que temos que envelhecer
Para termos a certeza
De que a vida é curta,
Tão breve e passageira!
Não é justo,
Mas é certo.

Por isso, vive cada momento...
Persegue os teus sonhos,
Aproveita a tua mocidade.
Porque o tempo que te cabe
Morre rapidamente
Nessa eterna agonia
Dos anos que se esvaem...

Todos os anos que vivi
Parecem-me como ontem...
E os que eu ainda hei de viver
Mostram-se tão distantes,
Porque tenho a certeza
Que existem mais anos
Do que eu posso viver.

Daqui da minha meia-idade
Sinto a saudade:
Da face ao vento...
Do Sol ardendo na pele...
Dos mergulhos cegos...
Vivo sentindo a saudade
Das flores que tive!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Minha Janela


Pousou um passarinho
Em minha janela...
Chamou-me à vida,
Mas eu não fui...

Em minha janela...
Contou-me a felicidade...
Cantou a liberdade...
Mas não escutei...

Falou-me das nuvens no céu...
Das asas ao vento...
Que da janela eu voaria...
No entanto, na janela fiquei...

Mas um dia cansado ficou...
Desistiu de mim e partiu num vôo!
Antes me deixou uma pena...
Só assim, da janela voei...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Minha Poesia


Os meus versos falam de amor...
Muitas vezes de sofrimento e dor...
A saudade e a distância também aparecem,
Elas são constantes
Em qualquer vida que se preze.

As minhas estrofes montam
Partes de uma vida partida...
Revelam sofrimentos presentes,
Sonhos e desejos reais...
São passadas no tempo
Que não andam mais...
São pedidos de socorro
A você que distante se faz.

A minha poesia fala de qualquer vida...
De sonhos e desejos perdidos
Ao longo do tempo...
Da esperança de um dia
Contigo viver a vida.
A Minha Poesia... Amor,
É você!!!

Não sei mais distinguir
A minha vida da minha poesia...
Não sei o que me aguarda,
Nem onde vou parar...
Só tenho a certeza
Que começo e termino em você...
E que amanhã, por sua causa,
O Sol nascerá!!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Monção do Sul


Espero pela Monção do Sul
Nesse mar de sereia...
A vela no alto já espera,
Mas a Monção do Sul não vem.

Já que não vens, a mim não chegas,
Soprarei a minha triste vela...
Cansei de te esperar, que longa espera!!
Com minha nau partirei!

Pra onde? Não sei!! Nesse mar não fico
Fizeste-me perder o rumo, o juízo...
Meus sonhos naufragaram
Nessas águas calmas que atraiçoam!

A sereia canta, atrai...
Encanta os navegantes que sonham
Com águas mornas e calmas
Pra viver a vida em paz e nada mais.

Lançam-se âncoras que ao fundo chegam,
Enterram-se na lama que encobres
Aportam em tuas águas, mas depois descobrem
Que és traiçoeira, és sereia...

Tantas Monções existem, fui esperar logo a do Sul!
Encantado por ti estive e aqui fiquei...
A ver as Monções soprarem e depois partirem...
Levando a minha saudade e esquecendo de mim!

Foi preciso sentir a perda do ar que respiro...
Pra ter a certeza que era feliz e não sabia,
Para abrir os olhos e poder te ver...
Pra soprar minha vela, pra não se perder!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Não Sou Poeta


Dizem que não sou poeta
Que das letras não domino.
Sei bem que dessas letras,
Não é feito o meu ninho.

Um olho diz que meus versos são pobres,
O outro diz: as rimas, medíocres,
A boca afirma que minha poesia é plágio,
A inveja condena que é um lixo.

Confesso que não sou poeta,
Apenas escrevo o que sinto...
Apenas relato o que me chega...
De todo canto, de todo lado.

Nessa vida onde o que é morto é vivo,
Onde o que é reto torna-se torto
A poesia que tenho tido,
Num instante vira lixo.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Nuvem de Lágrimas


O fim fora mais que anunciado
Num sorriso sarcástico,
Numa nuvem de lágrimas
Que passou e deixou rastro.

Agora o caminho ficou estreito,
Mas não me deixou perdido...
Ainda acredito em mim
Porque sou o meu destino a viver.

Não será mais uma tristeza
Que irá apagar o que fora escrito,
Nem a mágoa que aflora do peito
A felicidade de ter vivido contigo...

Será a brisa que te desalinha num suspiro
A constante lembrança da tua existência.
E essa tua bela vista infinita a deixar
O meu olhar no horizonte perdido...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Ouvindo a Canção


Para voar basta abrir as asas,
Para correr apenas um passo,
Para o amor basta ter a fé,
Para amar apenas a emoção.

Quem sabe se ouvindo a canção
Meu coração não amoleça
Deixe a desconfiança, a rudeza
Passe a ter beleza, paixão.

Amores que vêm e que vão,
Como as naus aportadas no cais
Que criam raízes por um breve momento,
Mas no oceano perdem-se no esquecimento.

Meu amor é leve como uma seda,
É mais frágil que uma flor
Que não suporta viver ao sol do meio-dia,
Definha, aos poucos perde a cor.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Amor é Assim...


O amor é assim...
É como fogo de vela,
Que se apaga num sopro
Do vento pela janela.

Chega quando não se espera,
Vai quando não se quer
Deixando-nos na tristeza
Sem saber o que fazer.

O amor é assim...
É desejo que queima, é fogo que gela,
É água corrente, quebrando na serra...
Avisando a todos que não tem cela.

Pode levar-nos ao paraíso...
Ou lançar-nos no inferno...
Pode nos fazer ver a vida
Ou desejarmos a morte.

O amor é assim...
É vento solto, é água no mar,
É estrela cintilando no céu
Que não se pode tocar.

É saudade da boa,
É suspiro que soa...
-- Ah! Onde você está!?
É... O amor é assim...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Não Tenho...


Não tenho títulos
Muito menos posses.
Não sou tão bonito,
Mas sou charmoso.

Não sou tão jovem,
Mas não tenho aranhas
Tenho a tua idade,
Não tua vergonha.

Às vezes sou bonzinho,
Outras maldoso...
Às vezes sou limpo,
Outras nem tanto.

Meus olhos não enxergam,
Também não ouço.
Minhas pernas não andam,
Também não falo.

Não tenho mente...
Muito menos pranto.
Não tenho piedade,
Condeno e pronto.

Não tenho corpo,
Mas estou em ti
Só passo a existir
Se ouvires a mim.

Sou tua consciência
Que não te perdoa.
-- Droga...
-- Fui condenado...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Redemoinhos


Quando a tempestade se anuncia
Faz os sentimentos se tornarem redemoinhos,
Onde a dignidade humana some,
Dando lugar ao instinto da sobrevivência.

Não é mais a vida humana um Dom Divino
Quando a ameaça apresenta-se no caminho
Ou quando a sede de poder é mais importante
Do que a humildade ao irmão que luta...

Nesse momento, a mentira transforma-se em lei,
A trapaça torna-se regra.
Pode-se ver a verdadeira face
Da humanidade disfarçada numa reza...

Não me engano mais com a bondade humana...
Ela é frágil à primeira dificuldade,
Mas a maldade é sua essência eterna,
Porque somos apenas humanos...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Respire a Esperança


Ninguém nunca disse que te ama?
Com um simples olhar
Não expressaram a tua importância?
Não fiques triste, é pura ignorância...

Foi preciso eu surgir em teu caminho
Para saberes o calor de um carinho,
Por mais estranho que possa parecer
Aos olhos de quem não ama.

Serei a fonte onde podes encontrar
O bem querer que a ti recusam...
E o sentimento que poucos têm...
Porém, que tanto procuram...

Não percas sequer uma lágrima
Por alguém que não consegue enxergar
A pureza do teu coração que sangra,
Nem a paixão que de ti emana.

Eu vi as tuas carências...
Eu escutei o teu silêncio...
Eu senti a tristeza em teus sorrisos,
Mas também vi o brilho da tua alma.

Fecha os olhos e respira a esperança...
Não vivas na saudade, solta os suspiros...
Porque existe alguém nesse mundo insano,
Que mesmo na distância te ama...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Sabedoria


Estendi a mão
A tua sabedoria
E recebi a arrogância
Do teu saber.

Queria poder voltar
À minha ignorância
E poder fechar os olhos
Ao que agora posso ver...

Não quero ser
O que os meus olhos vêem.
Não vou passar à frente
O que de ti aprendi.

Foi bom assim,
Porque pude perceber
Que valho muito mais
Do que todo o teu saber.

Finalmente, pude encontrar
A sabedoria que procurava.
Estava em mim!
Não no que me ensinavas...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Seres Errantes


Somos seres errantes!
Num mundo desordenado...

Somos almas solitárias...
A procura de companhia...

Somos mundos independentes...
Que vivem de esperanças...

Somos seres humanos...
Mas não nos amamos!!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Se Tiveres Fé


Pode todo o Universo
Mover-se contra ti
Usando toda força
Que tiver,
Todo poder
Que nele existir.

Certamente ele usará
A eternidade do tempo
Para te mostrar friamente
Quão insignificante
É o teu curto caminho.

Usará ele, o destino
Para justificar
As punições e renúncias
Que irá te impor
Como legado.
Se acreditares nele
Será o teu fim.

Mas se tiveres Fé em Deus.
Ah! Se tiveres Fé em Deus!!
Não haverá força maior
A te guiar pelo caminho.

Não haverá movimento
De qualquer Universo...
Nem eternidade
Em qualquer tempo...
Ou mesmo trama do destino
Que possam alterar
Uma única linha
Do que Deus pra ti
Tenha escrito.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Som das Águas


O teu vestido de bronze molhado
Esconde tantos segredos!
Fazendo os meus sonhos percorrerem,
Como a água, o teu corpo perfeito...

E em teus pés correm sem destino,
Essas águas que banham tua pele
Como os desejos que ora tenho tido
A espraiar-se em meus pensamentos...

O borbulhar da fonte reluzente
Acorda os meus devaneios...
Instigam o corpo ao sexo
E a alma ao amor perfeito.

É no som das águas que viajo
E me encontro ao teu lado
Como essas águas que te banham,
Como criança em teus seios molhados.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Sórdida Fome


Sórdida fome que maltrata
Destrói, humilha e mata...
Essa gente tão simples e gentil.
Das nuvens não cai chuva nem nada
Aos céus elevam-se preces e súplicas mil
Reza o sofrido povo...
Pedindo clemência por essa
Seca que destrói a vida e a dignidade,
Por essa fome que ceifa
As almas de seus filhos a fio.

Dos céus caem raios que arrasam
Racham a terra, a pele e a alma...
Desse povo humilde e gentil.
Com a dor no estômago vazio,
E com a imagem da morte
Estampada no magro rosto,
Num derradeiro fôlego,
Sai a voz rouca e fraca
Suplicando em prece
Para que Deus se apresse
A mandar água do céu...
E como se não bastassem
A sede, a fome e a falta d’água...
Vem o preconceito dessa gente insana
Que se isola, como se visse praga,
Cerram os olhos e endurece o coração
Joga à sorte e ao destino
Esse povo que sofre sob Sol a pino.

Oh Deus... Habita esses corações
Secos de sentimentos...
Que não sabem o que é sofrimento,
Por não ter o que comer nem beber,
Por não poder, simplesmente,
Viver sem a dor da fome como companhia,
Sem a sombra da morte a espreitar,
Ávida por mais vidas ceifar.
Nessa sina segue vivendo meu povo,
Com Deus no coração, com fé e esperança,
Resiste à fome e à sede,
À ignorância e ao preconceito.
Segue vivendo...
Com os olhos cerrados no céu,
Vive a pedir dignidade...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

P E R F E I T A


Pareces-me ser uma Diva,
Uma Musa, uma Poetisa
Geneticamente pura,
Ardentemente Mulher.

E o que eu poderia dizer
Das tuas formas quentes,
Do gozo ébrio do teu sorriso,
Dessas madeixas negras?

P E R F E I T A

Nesse doce suor poético,
Nessas curvas femininas,
Nesse fogo que seduz,
Nessa luz menina mulher.

Que o tempo ajoelhe-se
Aos teus pés e implore...
Que a eternidade seja tua,
Porque sou mortal que te admira.
DEDICO ESTE POEMA À SÍLVIA MOTA, MINHA ETERNA DIVA.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Campo de Emoções


De sorrisos e lágrimas
Vai vivendo o meu coração.
Às vezes, ele ri na tristeza
Outras, ele chora calado
Numa felicidade passageira.
Sempre faço do meu coração
Um campo fértil de emoções...
Mas, ele sempre está minado
Por tuas doces lembranças,
Por tua amarga falta.

Por outro lado, ainda,
Nesse campo nascem,
Rosas espinhosas, raras...
Belas rosas ensolaradas
Que me fazem viver...
Elas são de vida curta,
Porém, intensas, intensas...
Como esse Sol que me queima,
Como essa lua que me maltrata,
Como essa dor que não falta.

De sorrisos e lágrimas,
Sempre faço do meu coração
Um campo sagrado de emoções
De dores, amores e medos
Que a vida mina...
Com o perfume do ciúme
Que minh’alma rasga,
Com o tempo que passa
Indiferente se vivo ou morro
De dores, amores ou medos...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Pedaços de Mim


Não deixem minha poesia
Viver sozinha,
Em estantes escusas,
Em livros fechados,
Empoeirados pela escassez
De tempo e do sentimento.

Não permitam que os meus versos
Percam-se nos olhos frios,
Que não sentem a magia da vida,
Que apenas vêem a verdade
Sem fundamentos concretos...
O próprio egoísmo...

Eles são tudo que prezo,
São pedaços de mim...
Brancos ou rimados,
Pobres, ricos ou raros...
Eles são as minhas emoções
Escritas nas linhas do tempo.

Não deixem a minha poesia
Viver fechada. Libertem-na!
Permitam que ela siga
Ao sabor dos ventos...
Permitam que ela viva
Como me sinto quando escrevo.
LIVRE!!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

O Trem


O
Trem
Deslizava,
Seguia apressado,
Na infinita trilha remava
Vai... Vai... Vai...
Apita,
Sacode,
Piuííí...
Vai... Vai... Vai...
Sai da frente...
Piuííí...
Sai... Sai... Sai...
Vou passar livremente...
Piuííí...
Sai... Sai... Sai...
Balança,
Sacode...
Piuííí...
Vai... Vai... Vai...
Sai da frente...
Piuííí...
Sai... Sai... Sai...
Vou passar livremente...
Piuííí...
Sai... Sai... Sai...
Chego
Já.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Dia Enamorado


O meu amor implorou
Ao infinito firmamento
Que se curvasse manso
Para que assim pudesses
Acariciar os astros,
Dar um abraço no desconhecido,
Para, quem sabe,
Passear entre os seus mistérios.

Fez ele, um colar de estrelas
E da Lua cheia, um pingente
E te deu de presente
Para descansar em teus seios.
Em tua cabeça, pôs ele,
Uma tiara de pulsares virgens
De luzes azuis, brancas, lilases...
Que têm ciúmes da tua luz.

E, em teus dedos,
Colocou os Anéis de Saturno
Com um Sol nascente...
Esse Universo conspirador
Lá dos confins do desconhecido,
De amor celeste te cobriu
E fez do teu amor
O meu maior presente.
DEDICO ESTE POEMA AO AMOR DA MINHA VIDA, SANDRA DUARTE.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

A Chave


Só você tem a única chave
Do meu coração, de mim.
Mesmo assim, não a usa...

Você tem todos os meus códigos;
Os secretos, os abertos, os certos...
Mesmo assim, não abre nem fecha.

Você tem os meus sentimentos
De amores, ciúmes e medos
E eu, sua ausência e indiferenças...

Só você possui a chave, os códigos
E todos os meus sentimentos
Mesmo assim, não me ama, nem me deixa!...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Primórdios


Às vezes, o tempo me traz
Lembranças do meu inconsciente.
Elas vêm lá de trás...
De um cantinho escondido,
Protegido das maldades do mundo.
Outro dia, me vi nostálgico
A divagar sobre o tempo
Em que eu ainda era pequeno.
A mais remota das lembranças,
Me vêm com o cheiro de fogão à lenha.
Chorava indignada a madeira verde,
No fogo crepitante e sedento de fome.
Ela protestava com tanta fumaça
E estalos de tamanha tristeza
Da sorte que lhe tinham legado.

Dessa época remota,
Primórdios da minha existência,
Não tenho recordações
Dos meus pais nem dos meus irmãos,
Mas, eu me lembro de Dona Zefinha,
Anciã castigada pela lida.
Mulata bondosa, carinhosa...
Encorpada num vestido rodado
De chita, todo floreado.
Com seu inseparável cachimbo,
Ela cuidou de mim,
Me dava banho de cuia,
Um monte de carinhos
E cantava para eu dormir
Protegido e aquecido em seus seios.
Ninando, ela sempre me pedia
Para que eu fosse um menino bom.
De Dona Zefinha Mulata,
Eu nunca esqueci.

Tenho lembrança da minha casa,
Ela era de barro. Ela era coberta
Por folhas secas de coqueiro.
Hoje eu sei que era de taipa.
Ela deitava para um lado,
Mamãe dizia que era culpa
Dos ventos e das chuvas.
E foram tantas em minha vida!...
Mas eu sei que era culpa do barro.
Era pobre a minha casinha!...
Quando viajo por minha infância,
Sempre me vejo descalço
No chão de barro socado...
Onde aprendi a dar
Os meus primeiros passos,
Onde caí nos primeiros tombos...
Onde aprendi que a vida poderia ser dura.
Foi por causa deste chão que nasceu
Toda a minha vontade de vencer...

Encostado na parede de taipa,
Cambaleante de um lado,
Ficava o meu berço
De madeira modesta.
Nele, às vezes,
Eu me sentia seguro,
Outras, preso...
Pelas frestas da parede,
E, eram muitas,
Eu via o mundo lá fora, passando...
Tão apressado e desconhecido.
Tão escondido de mim.

Que saudade da minha charretinha!
Ela era de plástico colorido.
De rodinhas amarelas,
Com detalhes em azul, verde e vermelho.
Um belo cavalinho branco raçudo
E um charreteiro incansável...
Como eu gostava dela!
Ela era tudo o que eu tinha
De mais precioso.
Era o meu sonho de liberdade,
Mas se perdeu no tempo,
Tudo ele levou...

Quando a noite chegava sonolenta,
Eu ficava brincando em meu berço,
Sozinho com todos os meus temores...
Deus, como eram muitos!
Lá na calada da noite,
Desconfiado, eu espiava
A madrugada esperando o dia.
Eu tinha medo dos sons noturnos,
Da escuridão traiçoeira,
Do desconhecido,
Do futuro que chegava...

Os vultos da madrugada
Sempre vinham me assustar.
Mas eu estava em meu berço,
Eu tinha o meu cavalinho branco...
Mesmo assim, eu temia...
Deus, como eu os temia!!
Eu me escondia por debaixo
Do meu lençol molhado...
E choramingava assustado
E, eles passavam misteriosos,
Cada um com sua história.
E nada me acontecia
Porque não eram as minhas!...

Hoje, só restaram as lembranças
Da minha charretinha colorida,
Do meu cavalinho branco,
De Dona Zefinha Mulata.
Ainda tenho medo da noite,
Os vultos ainda passam misteriosos...
Com outras histórias,
Com novos segredos,
Maiores... Mais sigilosos... Meus.

Mas quando eu crescer,
Não vou esquecer de mim.
Eu vou ser um menino bom,
Vou ter tudo que sonhei:
Uma charrete de verdade
(com um cavalinho branco, claro!)
E um amor para amar e viver.
Quando eu crescer,
Eu serei o charreteiro...
E não deixarei
Que nada mais seja levado
De mim outra vez.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Recife Implora por Misericórdia


Recife fede a urina fermentada e a fezes ressecadas,
Fede a ratazanas políticas e a baratas palacianas.
Recife tem hálito de bocas de “lobos” escancaradas.
Recife fede de cima a baixo, de todo canto, de todo lado.

Recife fede a sangue derramado de mais um cidadão
Friamente assassinado nas vielas fétidas e sombrias.
Recife, copiosa, verte lágrimas lodosas de desespero
E a dor pungente que dilacera seu peito, mata...

Recife fede nas ruas, praças, pontes e esquinas.
Fede dos miseráveis casebres aos casarões abandonados.
Recife fede do Palácio do Campo das Princesas
Ao buraco mais imundo de um rato despolitizado.

Recife fede a vômito de um desempregado
Embriagado, largado pelas ruas esburacadas,
Pétrea cama, fria lápide. Minha Cidade!
--- Pernambuco, por que me abandonastes?

Recife fede ao Rio Capibaribe,
(esgoto a céu aberto)
Recife fede ao Rio Beberibe,
(chorume de um descaso público).

Recife tem o odor nauseante do nosso descaso
E ao acaso entrega-se imunda ao Atlântico
Nas precipitações que lambem suas feridas
Inflamadas, imundas, fétidas, abertas...

A minha cidade, silenciosa, morre lentamente
Acometida pelo câncer do descaso público,
Pelo lixo, pelas excretas, dejetos “desumanos”.
Pernambucanos, Recife implora por misericórdia.
POESIA PROTESTO PELO DESCASO QUE A MINHA AMADA CIDADE PASSA.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Abandonado


O Sol sempre acorda
Nas manhãs cerradas
Da minha solidão.
Ele não me vê,
Ele não me sente,
Ele não me aquece.

Sob o manto da noite,
A Lua sempre vem nova,
Indiferente, faceira,
Cansada de guerra,
Despertando ciúmes,
Deflorando amores

Ela deixa as minhas noites
Entregues a milhares
De estrelas vulgares
Que me desejam
E que me abandonam
Por uma outra qualquer.

Ele é o Sol.
Ela é a Lua.
E eu, um verme.
Que rasteja,
Que espera por ele,
Que se nega a ela...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Lábios do Céu


Quando encontro-me disperso em mim,
Os meus olhos acariciam o horizonte
Como uma brisa suave nos jardins
Porque eu sei que lá o Sol se esconde
Privando-me de tudo que me seduz...

Lá no distante horizonte onde o mar
Beija os doces lábios azuis do céu,
Eu procuro a paz que me falta n’alma.
Ele está ao meu alcance, tão perto de mim
E ao mesmo tempo tão distante se faz.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Águas Maliciosas


Os teus suaves dedos são como chaves
Que abrem todos os meus segredos.
Com seus toques atrevidos, insaciáveis,
Rendem-se todos os meus desejos...

Furta-me as jóias nas quentes entranhas
Escondidas do meu corpo incandescente.
Torna-te devassa, como devasso eu fico,
Tal qual leão faminto dilacera a presa...

Torna-te água maliciosa e, sem pudor, siga...
Deslize por cada poro do meu corpo faminto.
Sinta o meu cheiro lascivo de homem...

Aprecie o gosto doce da minha pele suada
E tome imediata posse do que é teu por direito:
Meu corpo tenso e minh’alma por ti escravizada.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Anversos


Lava-me nas águas justas,
Ó verdade única!
Guia-me entre tantos ditos,
Separa-me como o joio do trigo,
Das vidas que me apresentam...

São tantas as armadilhas...
São tantos os enganos...
Que até parece que nascemos
Para viver nos livrando
De tudo, de todos,
E até de nós mesmos.

Destino meu, ardiloso tirano,
Não rasgue o meu céu de sonhos
Qual raio furioso dilacera o véu celeste.
Alia-te às minhas vivências,
Não às tramas dos meus caminhos...

A navalha do tempo corta fundo,
Ela me molda por todos os crepúsculos
Que se deitam cansados nos horizontes
Dos meus fatigados devaneios.
Eu sinto a dor na carne nua.

Eu procuro por meus anversos...
Os que me fizeram chegar até aqui...
Eu luto por minhas verdades,
As que me fazem acreditar
Que ainda posso prosseguir...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Traças do Tempo


Traças parem!
Não me tracem
Imploro-te, parem!

Não me sequem,
Não me enruguem,
Não me decréptem.

Não me preparem,
Traças malditas,
Para os vermes...

Porque a minha carne
Arderá em Fênix chamas,
Aos vermes não será entregue.

Traças, me errem!
Surdas malditas, parem!
Ou passem à esquerda...

Malditas rastejantes,
Esqueçam-me. Parem!
Eu odeio “insetos”!

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Alma Nua


Chegaste em mim
Com tanta força,
Preenchendo os meus espaços,
Quebrando a minha’alma,
Escrevendo em versos e prosa
Os atos das minhas cenas
De amores e de ciúmes.

Tua presença faz do meu fim,
Um recomeço apaixonado
E das coisas que tenho medo,
Pedras nos caminhos
Que o ciúme atira...
Flores espinhosas
Que o destino planta
E a vida colhe...

Quando eu te vejo por aí,
O meu olhar te diz: te amo.
E o teu, aceito...
Mesmo quando de ti
É tirado o direito
De me dizer também.
Entre o bem e o mal,
Do meu jeito, divago
Nos gritos do meu silêncio
E sempre te encontro dominando
Os meus pensamentos,
Os meus olhos e lábios.

Ah, esse corpo que te cultua!
Por te amar assim,
Está de alma nua.
E o coração, exposto...
Aos teus gostos,
Ao teu sufoco,
A tua negação...
Porque nessa alma
Que te ama calada,
A tua lembrança
Ainda é mais forte
Do que a tua falta.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Criança de Engenho


Mergulhei nesse oceano de cana
Que me descortina à frente
Numa viagem nostálgica
À rara infância que tive.

Alimenta as máquinas incessantes,
O canavial vicejante e ondulante
Como as águas do Porto dos Escravos
Que de suor e lágrimas o oceano batizara.

Corri solto nesse mar verde esmeralda,
De céu azul e bandos de arribaçãs errantes.
Eram elas a minha caça e os meus brinquedos
Em minha infância com cheiro de cana.

A cortina de chamas sempre anunciava
Num véu áureo-rubro crepitante
O suor da colheita estafante
Por um povo humilde com medo da fome.

Bailavam ao vento as labaredas.
Estalavam a cana e os ninhos dizimavam.
Enquanto corríamos como criança levada,
Deixando a nossa inocência entregue às chamas.

Fui criança de engenho, respirei o doce...
Hoje pertenço à cidade grande, amarga...
Mas vivo na eterna saudade
Da minha infância com cheiro de cana.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

Girassóis na Escuridão


Os meus girassóis
Sempre me perguntam:
¾ Por onde anda o Sol?
¾ Ele adormeceu?
Em todo amanhecer
Eles não sabem o porquê
De tanta escuridão,
E vivem a me cobrar a luz...
Sem confessar a minha culpa,
As minhas lágrimas respondem:
¾ Que ele está amando a Lua...
¾ Que ele se esqueceu de nós...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.