quinta-feira, 7 de julho de 2016

Estação: Pardida

A tua constante ausência me fez
Revogar todos os meus versos.
Fez-me renunciar ao encanto das rimas
E aqui de cima dos meus ciúmes
Sobrevivi a todos os teus nãos.

Dizem que as flores são inocentes.
Que elas simbolizam a pureza d'alma.
É tudo mentira. Elas ferem, elas matam.

Não há sentimento que resista
À lâmina fria das infâmias...
Na minha estação, só há partidas
Com esse amor suicida
Matando-se em vão.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Possessão


Encerras em ti o começo e o fim de tudo.
Do meu luto, mergulhei na minha razão,
Juíza minha, que sempre me dizia: NÃO.
Mas, até ela, iludida, encantou-se por ti.

O feitiço desse teu sorriso moreno
É como o canto doce das sereias.
E o brilho afiado desses teus olhos mel,
Pôs por terra todos os meus nãos.

Teus segredos abriram os meus cadeados
E esse sorriso amado me fez dizer: SIM.
Era eu fortaleza de aço, intranspugnável,
Agora, sou ovelha perdida em terra de lobo.

Os meus exércitos foram todos dominados,
Eles não tiveram tempo de guerrear.
O meu coração não está mais vazio.
Agora, o inimigo habita em mim.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Mutilação

A minha razão conseguiu dizer-te, não.
Mas uma parte de mim ficou com você.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Desamor

O que restou do meu coração
não quer mais amar.
Ele apenas quer sangue...

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pensante


Às vezes penso, penso... Só às vezes!
E retiro a máscara da felicidade.
Eu me arrependo de ter pensado.
Porque pensando, eu me lembro
De todos os teus esquecimentos...

Não fosse a sanidade da minha loucura,
Agoniada companheira, fiel e sensata,
Por ti, amando, ainda estaria preso,
Nesse emaranhado sentimento ilusório
Chamado amor não correspondido.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Dor Solidão



                    I

Vós que partistes alegando
Que não é daqui esse amor
Que faz de mim um mar
De versos declamantes
Sob um céu de poesia nova,
Deixastes em meu peito,
Latente e ferido,
A dor nascente da saudade
E uma agonia amarga
Que me faz infelicidade.

Por acaso não sabeis
Que vis palavras atiradas
Nas lembranças do tempo
Lançam o mal em minh’alma
Que, traiçoeiro e maldito mal,
Contamina essa inocência minha
Que ainda teima em ser criança
Mesmo quando a vida insiste
Em me furtar a infância
E todos os sonhos que eu tenho.

Não é daqui esse amor que sinto.
Assim impiedosamente sentenciastes
Ao vento e à eternidade do tempo
Alegando que o santo não faz parte
Desse corpo profano
Que a nós foi legado,
Desse oceano de amor e ódio
Que me transborda atormentado
Da lua cheia à lua nova,
Do Sol nascente ao Sol poente,
Que não me faz ser mar vazante
Nas marés que sempre recolhem...
Não é daqui esse amor.
Por que assim alegastes?
Qual potestade do céu infinito
Ou das profundezas da terra
Teve o pleno direito de julgar
O que sinto, o que em mim nasce!?

Se foi o criador que assim me fez
E me atirou nesse mundo insano,
Que consome o santo e o profano.
Mesmo sabendo que tudo que exista,
Dos limites do azul do céu
A uma consciência infinita,
É sua obra, sua criação,
Então, que Ele mesmo me diga,
Que é proibido amar a vida,
Que há pecados no amor,
Que há mistérios que não sei.

Por que me condenastes à solidão?
Logo vós, que eu tanto amei e amo!
Talvez, nas injustiças da vida,
A mim tenha sido negado
O direito de amar e ser amado.
Talvez, seja esse o meu destino:
Apenas passar sem ter passado...
Apenas sentir sem ter sentido...
Apenas viver mesmo tendo morrido...

                    II

Vós que alegastes que não é daqui
Esse amor que me faz homem,
Não lembrais que é do jardim a flor,
Que a criatura vem do criador,
Que são do azul do céu as asas,
Que pertencem à terra as sementes
E que todas as ondas se espraiam
Para recolherem-se ao profundo mar?
Esquecestes que as aves nascem na terra
E depois retornam aos céus?
Por que fazeis da minha mente
Uma fiel homicida
E da minha criança
Uma prostituta maldita?

Por que tornastes o amor que sinto
Numa dor companheira?
Por que apenas não fostes calada
No silêncio das madrugadas
Ou no orvalhar das manhãs?
Deveríeis apenas ter ido, amor,
E não ter me deixado vazio
Procurando motivos santos
Nesse mundo profano
Para justificar ao meu coração
Esse peito rasgado de dor
E essa alma varrida pela solidão.

Vós que partistes deixando em mim
Uma eterna saudade doída
Sufocando o meu fôlego,
E uma realidade maldita fustigando
Os únicos sonhos que ainda tenho.
Sabeis vós que apagastes um futuro,
Que me fizestes ser passado morto
Vivendo num presente incerto.
Sabeis também que convosco
Se foi a minha inocência...
Ela era a única pureza que eu tinha!
Agora sou comum, sou igual a todos...
Piedade vos peço!
Levais também esse desconforto
De viver morrendo a cada manhã,
De respirar o ar que não quero...
De ser lua nova no eterno...

Por vossa negação, amor,
Agora, em minhas veias,
Correm sentidas
Lágrimas ácidas,
Pedaços de vida,
Corroendo o peito,
Sufocando a alma,
Dilacerando esse coração
Que vos ama...
Hoje, nesses dias
Que adormecem esquecidos,
O amor que sinto se esvai
Num olhar perdido,
Fazendo de mim
Uma espada afiada
Desembainhada pela dor solidão.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

domingo, 26 de agosto de 2012

Corpo Profano


Fiz do teu céu a minha terra,
Do sol fui o suor e o pranto.
Da lua, pérola rara e fingida.
Da tua ilusão, alimento posto,
Saciei a minha fome humana
Na mesa do teu corpo profano.
As minhas lágrimas envenenadas
Foram o remédio para minhas feridas.
Inflamadas desilusões, apodrecidas
Pelos vermes dos meus ciúmes.

Tuas mentiras foram verdades
Que acreditei como certas.
Sementes de flores amargas
Semeadas em canteiros incertos.
Espinhos que rasgam a alma
No desabrochar em desalento.
Erradas foram minhas estradas,
Reta foi a certeza do precipício
Que me parecia tão inocente,
Tão raso, tão claro, tão florido...

Foi raro o meu puro sentimento,
Por ninguém ele foi reconhecido,
Porque em meu peito cicatrizado,
A fria pedra já não pulsa. Jazia...
Diz-me que tudo vivido foi o certo,
Que te afirmarei. Eu fui o errado.
Porque o perfume das rosas fáceis
Inebriam, distorcem a realidade,
Mas os espinhos que por ai floram,
Esses, transpassam a maldita carne.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.