terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pensante


Às vezes penso, penso... Só às vezes!
E retiro a máscara da felicidade.
Eu me arrependo de ter pensado.
Porque pensando, eu me lembro
De todos os teus esquecimentos...

Não fosse a sanidade da minha loucura,
Agoniada companheira, fiel e sensata,
Por ti, amando, ainda estaria preso,
Nesse emaranhado sentimento ilusório
Chamado amor não correspondido.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Dor Solidão



                    I

Vós que partistes alegando
Que não é daqui esse amor
Que faz de mim um mar
De versos declamantes
Sob um céu de poesia nova,
Deixastes em meu peito,
Latente e ferido,
A dor nascente da saudade
E uma agonia amarga
Que me faz infelicidade.

Por acaso não sabeis
Que vis palavras atiradas
Nas lembranças do tempo
Lançam o mal em minh’alma
Que, traiçoeiro e maldito mal,
Contamina essa inocência minha
Que ainda teima em ser criança
Mesmo quando a vida insiste
Em me furtar a infância
E todos os sonhos que eu tenho.

Não é daqui esse amor que sinto.
Assim impiedosamente sentenciastes
Ao vento e à eternidade do tempo
Alegando que o santo não faz parte
Desse corpo profano
Que a nós foi legado,
Desse oceano de amor e ódio
Que me transborda atormentado
Da lua cheia à lua nova,
Do Sol nascente ao Sol poente,
Que não me faz ser mar vazante
Nas marés que sempre recolhem...
Não é daqui esse amor.
Por que assim alegastes?
Qual potestade do céu infinito
Ou das profundezas da terra
Teve o pleno direito de julgar
O que sinto, o que em mim nasce!?

Se foi o criador que assim me fez
E me atirou nesse mundo insano,
Que consome o santo e o profano.
Mesmo sabendo que tudo que exista,
Dos limites do azul do céu
A uma consciência infinita,
É sua obra, sua criação,
Então, que Ele mesmo me diga,
Que é proibido amar a vida,
Que há pecados no amor,
Que há mistérios que não sei.

Por que me condenastes à solidão?
Logo vós, que eu tanto amei e amo!
Talvez, nas injustiças da vida,
A mim tenha sido negado
O direito de amar e ser amado.
Talvez, seja esse o meu destino:
Apenas passar sem ter passado...
Apenas sentir sem ter sentido...
Apenas viver mesmo tendo morrido...

                    II

Vós que alegastes que não é daqui
Esse amor que me faz homem,
Não lembrais que é do jardim a flor,
Que a criatura vem do criador,
Que são do azul do céu as asas,
Que pertencem à terra as sementes
E que todas as ondas se espraiam
Para recolherem-se ao profundo mar?
Esquecestes que as aves nascem na terra
E depois retornam aos céus?
Por que fazeis da minha mente
Uma fiel homicida
E da minha criança
Uma prostituta maldita?

Por que tornastes o amor que sinto
Numa dor companheira?
Por que apenas não fostes calada
No silêncio das madrugadas
Ou no orvalhar das manhãs?
Deveríeis apenas ter ido, amor,
E não ter me deixado vazio
Procurando motivos santos
Nesse mundo profano
Para justificar ao meu coração
Esse peito rasgado de dor
E essa alma varrida pela solidão.

Vós que partistes deixando em mim
Uma eterna saudade doída
Sufocando o meu fôlego,
E uma realidade maldita fustigando
Os únicos sonhos que ainda tenho.
Sabeis vós que apagastes um futuro,
Que me fizestes ser passado morto
Vivendo num presente incerto.
Sabeis também que convosco
Se foi a minha inocência...
Ela era a única pureza que eu tinha!
Agora sou comum, sou igual a todos...
Piedade vos peço!
Levais também esse desconforto
De viver morrendo a cada manhã,
De respirar o ar que não quero...
De ser lua nova no eterno...

Por vossa negação, amor,
Agora, em minhas veias,
Correm sentidas
Lágrimas ácidas,
Pedaços de vida,
Corroendo o peito,
Sufocando a alma,
Dilacerando esse coração
Que vos ama...
Hoje, nesses dias
Que adormecem esquecidos,
O amor que sinto se esvai
Num olhar perdido,
Fazendo de mim
Uma espada afiada
Desembainhada pela dor solidão.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

domingo, 26 de agosto de 2012

Corpo Profano


Fiz do teu céu a minha terra,
Do sol fui o suor e o pranto.
Da lua, pérola rara e fingida.
Da tua ilusão, alimento posto,
Saciei a minha fome humana
Na mesa do teu corpo profano.
As minhas lágrimas envenenadas
Foram o remédio para minhas feridas.
Inflamadas desilusões, apodrecidas
Pelos vermes dos meus ciúmes.

Tuas mentiras foram verdades
Que acreditei como certas.
Sementes de flores amargas
Semeadas em canteiros incertos.
Espinhos que rasgam a alma
No desabrochar em desalento.
Erradas foram minhas estradas,
Reta foi a certeza do precipício
Que me parecia tão inocente,
Tão raso, tão claro, tão florido...

Foi raro o meu puro sentimento,
Por ninguém ele foi reconhecido,
Porque em meu peito cicatrizado,
A fria pedra já não pulsa. Jazia...
Diz-me que tudo vivido foi o certo,
Que te afirmarei. Eu fui o errado.
Porque o perfume das rosas fáceis
Inebriam, distorcem a realidade,
Mas os espinhos que por ai floram,
Esses, transpassam a maldita carne.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pétrea Coluna

Verte-me sangue
Lágrimas d’alma
Punhais de aço
Lacerada cama.

Furta-me a razão
Inocente malícia
Pétrea coluna
Indômita fugitiva.

No ocaso intrépido,
Sou a sela atrevida
Não sou o cavalo
Na encelada carne.

Transpassa-me...
A verdade furtiva,
As mentiras justas,
Os beijos amargos.

Queima-me vivo,
Prostituta carne,
Anjos e demônios,
Certos sentidos...

Verte-me sangue,
Furta-me a razão,
Transpassa-me...
Queima-me vivo.

Sou eu que sinto
As minhas dores.
Sou eu que faço
Esse meu destino.

Planto roseiras,
Colho espinhos.
Rogo aos céus,
A terra responde.

Estendo as mãos.
Grito em silêncio.
Verte-me sangue,
Falta-me a razão.

Sinto fome e sede.
Sinto frio, calafrios,
Nessa insanidade
Que me consome.


CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Amor Lunar

Um dia, a Lua ousou amar o Sol
Mesmo sabendo que o encontro
Seria difícil. Mesmo assim, o amou...
Á noite, ela declama que o ama
E ilumina todas as estrelas
Com a luz que recebe amada...
Mas, quando se enche de ciúmes,
Recolhe-se entristecida e fica nova.

De dia, o astro rei diz que ela
É o sol das noites enluaradas
E no horizonte, saudoso, descansa.
Mas, quando se encontram,
O universo se escurece por inteiro
E se curva a esse grande amor.
Porque para ele, não há impossível,
Não há barreiras, não há dor.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA. O POETA DOS SENTIMENTOS.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Acordes


Os teus toques em meu corpo
Produzem acordes de desejos,
Despertam ondas de arrepios.
Eles são melódicos beijos!...

Por mais que eu pudesse
Expressar o que eu sinto,
Não seria verdadeiro
Todo esse meu fascínio.

Pois os meus pobres gestos
São míseros vícios de ciúmes
E as minhas trêmulas palavras
São versos de amores imunes.

Se te digo que eu te amo,
É porque já não consigo
Segurar os meus sentimentos
Nem todo o meu fascínio.

Os acordes do meu corpo
Cantam as letras do teu nome
Quando os teus toques
Revelam o que eu sinto.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Petra

Das cinzas do meu corpo,
O meu peito será exposto
Para que todos saibam
Que te amei além de mim.

E por mais que eu soubesse
Que a decepção era certa,
Eu te amei mesmo assim...

E por ter te amado, o meu coração virou pedra
Cujo fogo do ciúme não conseguiu destruir.
É, do início ao fim, o teu amor foi egoísta comigo!

Ele petrificou os meus sentimentos.
Ele transformou o meu canto num lamento.
Ele me fez desistir dos meus amores
E dos meus sonhos, fez pedaços de mim.

CLÁUDIO AVELINO DA COSTA, O POETA DOS SENTIMENTOS.